A Engenharia no Desenvolvimento do Brasil
1822-1889
A história comprova que o trabalho desenvolvido pela engenharia militar do Exército Brasileiro sempre buscou alcançar tanto a defesa nacional, quanto o desenvolvimento do país. Neste sentido, podemos dizer que os interesses concorrem para um mesmo propósito, que é entregar à nação uma estrutura capaz de promover a sua salvaguarda, bem como o seu progresso.
Desde os primeiros momentos, antes mesmo da independência, em 7 de setembro de 1822, já era visto um gigantesco trabalho de demarcar e defender o imenso e desconhecido território que, a partir de então, se tornaria o país que conhecemos hoje. Esse esforço pode ser entendido como o embrião da engenharia militar brasileira, na medida em que trouxe às novas terras o conhecimento da arte da engenharia que proporcionaram ao país, já naquele período, as bases para a defesa e integridade territorial, bem como para o desenvolvimento do país.
Nesse contexto, foi no período entre 1822 e 1889, que os engenheiros formados pelo Exército passaram a se desdobrar pelo Brasil produzindo ações que marcariam o processo de modernização e conquistas do nosso território. Passada a era das fortificações e dos Arsenais de Guerra, com a consolidação de uma estrutura própria capaz de agir e reagir, defender e atacar, a engenharia militar precisou atuar em outras vertentes diante do Brasil que deveria seguir crescendo. Nesse sentido, para além do aspecto de combate, a participação da engenharia militar na construção das rodovias e ferrovias pelo país foi determinante para o florescimento de uma nova nação.
Após a Independência, vale destacar que o Real Corpo de Engenheiros, criado por D. João VI, deu origem ao Imperial Corpo de Engenheiros, que mantinha em seus quadros a maior parte dos técnicos da época.Os engenheiros militares brasileiros já estavam capacitados a executar rigorosos planejamentos para a construção de obras públicas em prol do Estado. Porém, foi somente com a Lei 2.911, de 21 de setembro de 1880, e o aumento do efetivo do Batalhão de Engenheiros, que lhes foi conferida uma nova missão. Eles seriam empregados, também, na construção de estradas de ferro, de linhas telegráficas estratégicas e outros trabalhos de engenharia então realizados pelo Estado, sob a direção de oficiais técnicos designados pelo Governo.
Mesmo com a já constante presença das empresas privadas no processo de desenvolvimento da nação, a Engenharia Militar continuou a atuar em empreendimentos estratégicos, sobretudo, na construção de eixos rodoviários e ferroviários, linhas telegráficas, assim como nas fortificações permanentes e nos trabalhos de mapeamento do território. Em 1888, o Exército Imperial foi reorganizado e o Batalhão de Engenheiros foi transformado nos 1o e 2o Batalhões de Engenharia, de onde derivaram os batalhões ferroviários e rodoviários e, posteriormente, os de construção.
Enfim, ao longo do tempo, acompanhando a modernização e adequando-se às necessidades do país e do Exército, a engenharia militar seguiu cumprindo as mais diversas missões que colaboraram para a integração nacional e, em consequência, para a manutenção da unidade do território.